Saúde Mental

PHQ-9 e GAD-7 na APS: Como Aplicar, Interpretar e Conduzir

Guia completo para usar PHQ-9 e GAD-7 na atenção primária: pontuação, pontos de corte, interpretação clínica e conduta segura.

8 min de leituraPHQ-9, GAD-7, depressão

Saúde mental é rotina na UBS. O problema é que muita gente atende no achismo, sem ferramenta padronizada. PHQ-9 e GAD-7 resolvem isso: são escalas curtas, validadas e fáceis de repetir ao longo do acompanhamento.

Aqui está o jeito prático de usar, interpretar e decidir conduta na APS.

Quando usar na APS

Use as escalas quando houver:

  • •Queixa de tristeza, anedonia, irritabilidade
  • •Insônia persistente, fadiga, queda de rendimento
  • •Sintomas físicos recorrentes sem causa clara
  • •Ansiedade com prejuízo funcional, preocupação excessiva
  • •Acompanhamento de quem já está em tratamento

Como aplicar em 2 minutos

As duas escalas olham para os últimos 14 dias. Cada item tem 4 respostas, pontuadas de 0 a 3, e você soma tudo. A vantagem é que o paciente entende rápido e você consegue repetir em toda consulta de seguimento para ver resposta.

PHQ-9: pontuação e interpretação

Pontos de corte clássicos: 5, 10, 15 e 20, representando gravidade crescente.

  • •0 a 4: mínimo ou ausente
  • •5 a 9: leve
  • •10 a 14: moderado
  • •15 a 19: moderadamente grave
  • •20 a 27: grave

Item 9 do PHQ-9 e risco de suicídio

O item 9 rastreia pensamento de morte e autoagressão. Resposta positiva exige avaliação clínica imediata de risco.

GAD-7: pontuação e interpretação

  • •0 a 4: mínimo
  • •5 a 9: leve
  • •10 a 14: moderado
  • •15 a 21: grave

Como transformar pontuação em conduta na APS

A escala não substitui diagnóstico. Ela orienta gravidade e ajuda a decidir intensidade do cuidado.

Sintomas mínimos ou leves

  • •Psicoeducação
  • •Sono, atividade física, redução de álcool
  • •Intervenções breves, orientação e retorno programado
  • •Considerar terapia e apoio social conforme caso

Moderado

  • •Avaliar prejuízo funcional
  • •Considerar psicoterapia quando disponível
  • •Discutir início de farmacoterapia conforme protocolo local e perfil do paciente
  • •Retorno mais curto, monitorar resposta

Grave

  • •Avaliar risco de suicídio, psicose, catatonia, mania, abuso de substâncias
  • •Considerar encaminhamento prioritário
  • •Não postergar intervenção quando há risco

Risco de suicídio: o mínimo obrigatório

Se houver ideação, faça:

  • •Avaliação de plano, meios, intenção, tentativa prévia, rede de apoio
  • •Reduzir acesso a meios letais quando possível
  • •Pactuar retorno breve e plano de segurança
  • •Acionar rede de urgência se risco alto

A escala aponta, mas quem decide o risco é a clínica.

Seguimento e reavaliação

O grande ganho é usar as escalas como termômetro:

  • •Repita em 2 a 6 semanas, dependendo do caso
  • •Documente pontuação e conduta
  • •Observe tendência: queda sustentada sugere resposta

Como o APS Flow ajuda

O APS Flow coloca PHQ-9 e GAD-7 em formato rápido, com soma automática, interpretação por faixa, lembrete de atenção ao item de risco e histórico para comparar evolução. Isso economiza tempo e padroniza o cuidado.

Referências

  • •PHQ-9: material de referência com pontos de corte e orientação de interpretação.
  • •GAD-7: pontuação e interpretação clássicas.

Use essas ferramentas na prática

No APS Flow você encontra calculadoras, prescrições e fluxogramas prontos para sua rotina na UBS.