Fluxogramas

Fluxograma de Dor Torácica na UBS: Quando Encaminhar e Como Conduzir

Guia prático para triagem de dor torácica na APS: sinais de alarme, ECG, estratificação de risco e critérios de encaminhamento.

10 min de leiturador torácica, UBS, síndrome coronariana

Dor torácica é uma queixa frequente e, ao mesmo tempo, uma das que mais gera medo de perder um evento grave. Na APS, o objetivo não é fechar diagnóstico de tudo. O objetivo é identificar risco imediato, estabilizar quando necessário e encaminhar com segurança quando existe possibilidade de condição ameaçadora à vida.

Este texto te entrega um fluxograma mental simples para usar na UBS, com foco em decisão rápida.

Por que a APS é decisiva na dor torácica

A APS coordena o cuidado e organiza fluxos com a rede. Na prática, isso significa: reconhecer urgência, acionar transporte quando necessário e direcionar corretamente para unidade de referência.

Passo 1: identifique sinais de alarme primeiro

Se existe qualquer sinal de gravidade, a prioridade é atendimento imediato e encaminhamento.

Sinais de alto risco

  • •Instabilidade hemodinâmica: PAS baixa, choque, extremidades frias, rebaixamento importante
  • •Dispneia intensa, cianose, saturação baixa
  • •Síncope, confusão aguda
  • •Dor torácica com padrão muito sugestivo de isquemia: opressiva, retroesternal, irradiação, associada a sudorese e náuseas
  • •Dor súbita intensa em rasgo (pensar em dissecção de aorta)
  • •Dor com sinais de pneumotórax hipertensivo (desvio traqueal, instabilidade)
  • •Dor associada a déficit neurológico focal
  • •Paciente com múltiplos fatores de risco e aparência de gravidade

Passo 2: avaliação inicial em 3 minutos

O básico que resolve 80% dos casos:

  • •Sinais vitais: PA, FC, FR, SpO2, temperatura
  • •História curta orientada para risco
  • •Exame físico focado

História rápida que importa

  • •Início: súbito ou gradual
  • •Duração e evolução
  • •Características: pressão, aperto, queimação, pontada
  • •Localização e irradiação
  • •Fatores de piora e melhora: esforço, repouso, respiração, posição
  • •Sintomas associados: dispneia, sudorese, vômitos, palpitações, síncope
  • •Contexto: pós esforço, ansiedade, infecção respiratória, trauma

Exame físico focado

  • •Perfusão e estado geral
  • •Ausculta cardíaca e pulmonar
  • •Sinais de trombose em membros inferiores quando suspeita de TEP
  • •Dor reprodutível à palpação (sugere parede torácica, mas não exclui grave)

Passo 3: ECG na UBS quando disponível

Se a UBS tem acesso, o ECG deve ser feito rapidamente em quem chega com dor torácica aguda. Em linhas de cuidado, recomenda-se janela curta para ECG em casos suspeitos. Na prática: ECG alterado em segmento ST ou padrão compatível com isquemia muda o destino do paciente.

Critérios objetivos de encaminhamento imediato

Encaminhe de forma urgente se houver suspeita de:

  • •Síndrome coronariana aguda
  • •Dissecção de aorta
  • •Tromboembolismo pulmonar com instabilidade ou alto risco clínico
  • •Pneumotórax hipertensivo
  • •Tamponamento cardíaco
  • •Arritmias com repercussão hemodinâmica
  • •Qualquer instabilidade clínica

Mesmo sem ECG, a clínica e os sinais vitais podem ser suficientes para definir urgência.

Quando dá para manejar na UBS com segurança

Existe dor torácica que frequentemente é benigna e pode ser acompanhada na APS, desde que você tenha excluído sinais de gravidade.

Exemplos comuns

  • •Dor musculoesquelética: dor reprodutível à palpação, piora com movimento, história de esforço
  • •Refluxo e dispepsia: queimação retroesternal pós alimentação, melhora com antiácido
  • •Ansiedade e síndrome do pânico: dor com hiperventilação, parestesias, contexto emocional
  • •Causas respiratórias leves: tosse e dor pleurítica em quadro viral sem dispneia importante

O erro clássico: rotular como ansiedade antes de avaliar risco. Faça o básico sempre.

Dor torácica estável e investigação ambulatorial

Para dor recorrente associada a esforço e fatores de risco, o caminho é investigação programada conforme disponibilidade local e encaminhamento quando indicado. Diretrizes internacionais organizam fluxos distintos para dor torácica aguda e dor estável.

Erros comuns na UBS

  • •Não medir sinais vitais ou não registrar SpO2
  • •Não considerar equivalentes anginosos: dispneia, epigastralgia, mal estar
  • •Tratar como gastrite sem avaliar risco cardiovascular
  • •Fazer ECG tardio quando unidade tem acesso
  • •Encaminhar todo mundo sem critério (sobrecarrega a rede) ou segurar caso grave (risco extremo)

Como o APS Flow ajuda

Um bom fluxo de dor torácica na APS precisa de checklist de sinais de risco, orientação de conduta e encaminhamento, e registro rápido no atendimento. O APS Flow organiza isso em fluxo clínico, reduzindo erro de triagem e acelerando decisão.

Referências

  • •Ministério da Saúde, Linhas de Cuidado: Dor Torácica (APS como coordenadora do fluxo).
  • •Manejo inicial na atenção primária e recomendação de ECG quando disponível.
  • •Diretriz brasileira de atendimento à dor torácica em unidade de emergência (SBC, 2025).
  • •NICE CG95: avaliação de dor torácica de início recente e organização do raciocínio clínico.

Use essas ferramentas na prática

No APS Flow você encontra calculadoras, prescrições e fluxogramas prontos para sua rotina na UBS.